"Ao vencedor, as batatas". Essa é a celebre frase do livro Quincas Borba, de Machado de Assis.
Em uma visão simbólica e pouco menos aprofundada, podemos aplicar tal frase ao nosso cotidiano. Nessa violenta competição a qual vivemos diariamente, apenas os mais fortes, os mais competentes e as vezes os mais imorais, vencem e "ganham as batatas".
Agora, deixando de lado toda essa crítica a esse mundo competitivo no qual vivemos, o que realmente me choca é a realidade contemporânea retratada nos livros machadianos. Como um homem, nascido em 1839, filho de um pintor de paredes e de uma imigrante portuguesa, é capaz de escrever livros que se encaixam na realidade de inúmeras gerações? Se pensarmos bem, é como se os problemas do futuro já estivessem descritos nos livros de Machado.
A alienação, a competitividade e a ganância presente em Quincas Borba. A sedução interessada, a sociedade parasita e a desconfiança de Dom Casmurro. Isso falando apenas dos mais populares livros do escritor, nem vamos aqui discutir os temas de Helena, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Esaú e Jacó.
Também não iremos entrar em detalhes com toda a psicanálise existente nas obras, não estamos prontos para mencionar Sigmund Freud.
A idéia geral é entender que ler Machado de Assis, deveria ser antes de tudo, uma regra social, para entendermos um pouco de nós mesmos, dos problemas de nossa sociedade e os problemas dos povos do passado que persistem até hoje!
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